Dos dias longos em que espero-te
um ar de eternidade com gosto de possibilidades
veste-me nova razão nos olhos,
jardim de sussurros e vontades tantas.
Por querer-te, novos dias circulam,
o corpo em êxtase a pedir teus lábios,
prefácio de um sonho entre os lençois
cabíveis em tanta loucura e entrega.
E desafio borboletas em bailados multicores
a provocar os espaços de atos sagrados
nos trampolins de nossas secretas façanhas
a tornar possível o que dizem impossível.
Versos abrem cortinas ocultas pela mente
e desfilam serelepes a cor do nosso amor,
sem pressa, suave vento de canções ininterruptas,
nas originais asas em que prendo-nos.
E já não sou a que fui e nem sou a que seria antes,
em mim cabe o infinito dos teus desejos todos.
E quando tu entras, reconheço-me, tua,
metamorfoseada estou, depois de longa espera.
Uma febre contagia o meu querer
e suas mãos em laços nos abraços afagam
quem eu sou no lance do olhar:
Louca mulher em desespero ao toque,
suave carícia no sexual instante do amor.
E sua boca, malícia que gozo, infiltra minha pele
mais do que esperam meus poros em prazer.
Abro-me gemidos ao ato e penetra fantasias
com a certeza de quem me consome em delírio.
Úmida ensaio seu cheiro,
festa de quem sabe o que quer.
Não bastasse o orgasmo contínuo
ensina-me seu jeito de fera a animal domesticado
e outra vez entre as tantas completa-me
(plenamente de dona sou sua refém por gosto).
Pareciam crianças em doce especulação
na suavidade de dedos entre fendas.
Olhares comiam canções quietas
e tudo o mais eram intermináveis carícias.
Línguas diziam da pele o apelo do gosto,
sorrisos enquadravam palavras bem ditas.
Não houve uma noite em branco
ou um dia sem coloridos desejos.
O tempo, menino de causas desconhecidas,
abriu o lacre de um adeus cortante
e os pequenos sonhadores
hoje dormem lado a lado
como se a vida fosse colchão de lembranças,
- algo sem recuperação no que prossegue.
A busca pelo crescimento é natural no homem, embora muitos não percebam a real situação na qual estão inseridos.
A passividade tornou-se obrigatória na mente de algumas pessoas e impera a palavra do mais forte ou melhor dizendo, a do mais esperto. Através de uma conversa informal e promessas que na maioria das vezes são esquecidas as pessoas se deixam envolver e são levadas pela lábia.
É muito comum ver o que acontece já durante as festas políticas comemorativas onde A ou B vibram com a vitória e não se lembram mais do que foi dito ou prometido meses antes, sendo óbvio o desenrolar, o atraso.
O que preocupa é porque as pessoas não cobram ou se cobram por qual motivo não são atendidas pelo menos com o mínimo de respeito necessário a dignidade de um ser humano. Por que depois que entregam o seu voto são esquecidas como se não fossem mais necessárias às necessidades dos políticos? Será que estamos caminhando para uma nova sociedade? Poderíamos até classificá-la como: Sociedade dos 'espertos' e Sociedade dos 'excluídos e descartados'.
Somos pessoas ou somos peças que depois de usadas são deixadas de lado? A verdade é que agora é o momento de respondermos com o voto que queremos o crescimento, que queremos estar dentro e junto com o governo que chegue ao topo e não as margens dele. Aqui também não importa que chegue lá C ou D, mas que nós possamos dar o nosso voto consciente e que este governo eleito seja capaz de nos acolher independente de partidarismo.
Cada um de nós possui o seu candidato já em mente. Secreta ou publicamente cada um de nós tem suas preferências e nelas estão depositadas o sonho, a crença de que nossa cidade mereça indústrias, empresas que gerem empregos e melhores condições de vida a um povo lutador como o de tantas outras cidades do interior – força do povo brasileiro.
A miséria representa o atraso, as doenças provam a presença da miséria e a fome é o cartão de apresentação de que confiar somente em mesa farta na época da colheita de café é uma ignorância, não dos que trabalham nestes ramos, mas dos que fazem vistas grossas para tais questões e evitam que o crescimento chegue ao nosso alcance, pois há o medo de que a mentalidade do povo evolua e as rixas partidárias sejam vistas somente como problemas das cúpulas que se propõem a elas.
Ei, política não é religião. Política é a única bandeira que temos para provar que amamos o nosso lugar e que nossos filhos possuem o direito de crescer e continuar suas vidas no lugar que nos abraçou e que chamamos de lar. Lar não é apenas nossa casa. Lar é a extensão, é a nossa cidade com condições para todos.
Se em minha casa há comida e tudo parece bem, na mesa do vizinho pode não haver, e daí a sociedade que produzimos, pessoas fracas, desnutridas, doentes, desacreditadas na concretização de seus próprios anseios. Se falta algo na vida do próximo o problema também é nosso, porque não devemos olhar só o que temos e sim o que falta aos colegas de nossos filhos nas escolas, aos amigos de nossos filhos e aos nossos filhos que já crescem com a idéia de que devem abandonar nossa cidade se quiserem ser alguém na vida. E assim perdemos bons profissionais que poderiam atuar aqui para o bem de todos.
Então penso, penso que escolher, apoiar, participar e cobrar é o verdadeiro sentido da política. Necessitamos caminhar de mãos dadas se pensamos no bem-comum e não distantes e com distinções.
Escrevi sobre política não porque eu seja a que vota no sábio ou a que vota no tolo – independente disso, afinal somos todos iguais -, mas sim como uma pessoa que tem a liberdade da escolha e que além de tudo respeita a opinião de todos e ambiciona o crescimento, mas não o crescimento solitário e sim o de minha cidade como o de tantas outras cidades em que os governantes pensam no povo como a força que move as ruas, o comércio e tudo mais.
Amo a sabedoria e este texto é na verdade um apelo para que os que ocuparem cargos políticos (filhos de Lajinha) tirem as vendas e entendam que nós, o povo, não estamos satisfeitos com promessas, queremos e necessitamos de desenvolvimento para que possamos ser mais que uma cidade fantasma onde todos os dias vemos nossos adolescentes, nosso futuro escapulindo para outras cidades com a idéia fixa de voltarem aqui somente para visitas.
Minha escolha já foi feita como a de muitos e não apresentarei motivos não por não tê-los, mas por respeito a mentalidade e livre escolha de todos, confiada que só Deus nos dará o melhor e este melhor será capaz de estar lado a lado com o povo.
“A liberdade em todas as suas manifestações, eis, a meu ver, o instrumento fundamental de todo progresso” *.
Basta de dor. Deus nos abençoe.
Eliane Alcântara.
*Citações retiradas do livro: “Ruínas de um Governo – Rui Barbosa”.
Se soubéssemos corresponder com alegria a dor
estaríamos aptos para solucionar grande parte
dos problemas da humanidade.
Mas nosso pessimismo nos leva a lamentar
quando deveríamos ser o primeiro passo
em busca das soluções.
O corpo
parecia deserto sem mãos
canção destoada
desvirtuado anoitecer
era como se o dia
vestido de luto engolisse
toda a mágica de ser feliz
e o adeus fitilho dos olhos
escorregasse em lágrimas
uma cicatriz comum:
- partida.
O medo só ancorou em meu peito
depois da descoberta de que o possuo.
Antes eu não tinha o que perder
e a coragem de apostar tudo
significava não perder nada.
Alguns dizem a todos que os amam porque o medo da solidão
ultrapassa a franqueza de assumirem para todos,
o verdadeiro significado de amar, a só uma pessoa.
Solitária brincou com os dedos a certeza, algo meio incerto.
Emancipada fêmea amou-se como se fosse de todas as primeiras vezes
a mais fiel das entregas. Até que o gozo percorreu a tarde suada no lençol frio.
Depois, a insubstituível falta dele caiu navalha no pensar e ela adormeceu úmida
mais vazia que antes, a transbordar o verdadeiro amargo da solidão.
Não foi preciso muito para que o imediatismo os declarasse apaixonados.
Não foi preciso mais que o escapismo para rendê-los ao matrimônio.
E não foi preciso mais que o tédio do 'até que a morte os separe'
para que ambos se assassinassem com a falta de amor.
Pertenço a loucura
e sem hora marcada
sou toda tua,
ilusão.
Vivo de alegrias inventadas
e todos acreditam
quando meu riso fingido
despista a tristeza
da falta tua,
prisão.